Parentes do Riso

por Dilvo Rodrigues

Outro dia meu avô apareceu em um dos meus sonhos. Eu não tenho muitas lembranças dele, então o sonho fez questão de se valer do cenário de uma foto, que eu já vi muitas vezes no álbum de fotografias da família. Na foto, estava sério, era o dia de batizado dos netos dele, eu e meu irmão mais novo. Mas, no sonho, ele estava rindo um sorriso desses bem maroto, dentro da foto, no mesmo batizado. O que não é de se espantar por que uma das poucas coisas que me lembro do Sr. José Rodrigues é que o sujeito era um piadista, engraçado e brincalhão. Mesmo não me recordando de nenhuma piada, coisa engraçada ou brincadeira dele, me lembro do tom e do jeito da risada daquele homem. Me lembro da maneira como ele caminhava, de quando ele raspava a botina suja de barro também, sempre rindo ou contando algo divertido. Algumas vezes, quando conto alguma coisa engraçada ou tentando fazer alguém rir, me pego matutando: “Será que ele riria dessa minha’piada’?
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Tem Café Novo na Cafeteira

Por Dilvo Rodrigues

Eu nunca gostei de café. Mentira! Eu só gostava e tomava o café da minha avó. Me lembro até hoje da bebida fraca, com a consistência de uma melado que a gente adorava tomar nas canecas de ferro esmaltadas. Digo “a gente” por que eu e meu irmão mais novo nos empanturrávamos do café dela, o dia inteiro. Dona Hilda ainda tem um desses moedores de café mais antigos, de manivela. Os grãos ficavam armazenados numa vasilha de plástico do lado da banqueta em que o moedor estava instalado. Ela enchia a boca do moedor de café e girava a manivela. O barulho do café sendo triturado e o cheiro se espalhavam pela casa. A gente ia correndo para a cozinha e ficava esperando. A água ia fervendo no fogão a lenha. O pão sovado dava as caras na mesa, na companhia de um queijo e uns biscoitos de maisena. Cada um pegava o que queria e ia sentar lá na varanda da casa, que fica no alto de um morro esburacado que nunca soube o nome. Mas que dava vista para meio Marilac.
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