Os Raimundos Nonato e Lourenços da Vida

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por Dilvo Rodrigues

Todos os dias ele vai almoçar no mesmo lugar. A comida não é das melhores. Na verdade, para Lourenço, a comida é um lixo. O que leva esse negociador de quinquilharias ao boteco não é mesmo a comida, o motivo é outro. O Lourenço de “O Cheiro do Ralo”(2007), dirigido por Heitor Dhalia, não vai para comer, mas para olhar a bunda da garçonete. No caso dele, nem se poderia utilizar a expressão “comer com os olhos” e, muito menos, o “comer” chulo e sexual que se utiliza por aí, nas ruas. Lourenço quer poder olhar para a bunda da garçonete quando desejar. Não é o tipo de cara que concorda com a proposição psicanalista que diz que a grande tristeza na vida humana é que ver e comer são duas operações diferentes, como descreve Norman O. Brown no livro “Love’s Body”. “Eu não quero casar com essa bunda. Eu quero comprar ela pra mim”. Temos então, alguém que sabe perfeitamente o que quer e como quer possuir.
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