Joga Pedra no Rio

por Dilvo Rodrigues

Tem gente que joga pedra no rio.
Tem gente que joga sofá no rio,
Mata um desafeto e joga no rio.
Pneu e garrafa pet, joga no rio.
É tudo o que tem de coisa ruim que sai da gente e a gente joga no rio.
Ignorância, principalmente.
Mas fico nervoso mesmo de gente que joga pedra no rio, pra bater três vezes na lâmina d’agua, feito três tapas na cara do coitado.
Não contente, vem um outro e joga lama no rio.
Felizmente, a lama vai passar.
Mas o sofá e as pedras vão ficar lá, jogadas no rio.

Desencontros de Palavras, entre Sentimentos

por Dilvo Rodrigues

Ninguém me contou, nem mesmo saiu dos meus pensamentos. Essa história realmente aconteceu. Eu vi acontecendo, bem na minha frente. Não pude fazer nada, nada além de contar de uma mensagem virtual que foi para uma garota dos sonhos de um moço. Eu sei que as palavras diziam o seguinte:

“Todas as vezes que você viaja, fico olhando suas fotos. Acho interessante porque parece que você gosta mesmo de viajar e de conhecer outros lugares. Sua cara de felicidade é flagrante em cada click. E eu fico olhando cada uma delas, em algumas fico me imaginando em um lugar desses com você. Seria interessante, acredito. Porém, na verdade, eu queria ser mesmo o cara que fosse te recepcionar na rodoviária ou no aeroporto toda vez que voltasse pra casa.
Da última vez que te vi foi curioso. A gente nem se falou, mas teve um momento que você parou na minha frente, seus ombros estavam a mostra e eu comecei a pensar que eu queria ser o homem que conhecesse o caminho de cada um das suas pintinhas. Estava escuro, e por isso, aquele foi um dos poucos momentos que realmente acreditei na utilidade dos meus óculos, poder ver alguns dos seus detalhes.
Você deve estar achando que sou maluco, louco ou doidão de pedra. É, felizmente ou infelizmente, tenho um pouco de maluquice, mas controlada, é claro, por alguns avanços da medicina. Eu me imagino falando palavras assim pra você pessoalmente e me imagino em silêncio com você pessoalmente, como foi mesmo naquela última vez. Silêncio a distância, entre mim e você. Mas, minha maluquice maior é querer acreditar que nosso silêncio dure, a partir de um dia qualquer (que não tarde a chegar), só apenas enquanto eu conto as pintas do seu ombro ou mesmo enquanto eu conto as horas pra você chegar de viagem.”

O rapaz aguarda então uma resposta aos seus anseios e desejos apaixonados para com aquela moça. A resposta nunca chegou. Depois de muito tempo ele recebeu uma outra mensagem dela.

– Nossa! Que lindo. Você escreve muito bem.

Eu não contei, mas no lugar dele ficaria desolado. Naquele dia, meu amigo não disse nada. Aparentemente, não ficou triste, não ficou feliz com a mensagem dela. Ninguém me contou e acho que ele mesmo não vai me dizer. O que acontece, acho, é que ele ainda espera resposta. Aqui, fica entre nós, eu acho que teria dado mais certo se ele apenas tivesse chamado ela para tomar um chopp. Mas, isso são coisas do meu pensamento.