A Geração do Mexerico

por Dilvo Rodrigues

O Chato da mexerica é a semente que vem dentro do gomo. É até fácil descascar a fruta, fácil demais. Nunca é pior do que descascar uma laranja. Tem gente que nem retira a casca da fruta, já pega e corta em quatro pedaços, quatro gomos e come. Quando era criança, meu pai me levava sempre na Barraca do Baiano, no centro da cidade onde nasci. Ele vendia algumas frutas por lá, principalmente laranjas, que ele descascava com um dispositivo engenhoso. Era só encaixar a fruta numa parte com uma lâmina e rodar uma manivela, em segundos já estava pronta para ser devorada. Uma mão na roda!
Leia mais »

Cacos Quebrados, Cacos Colados

por Dilvo Rodrigues

Uma promessa quebrada é impossível de restituir. Não tem jeito. Os espelhos também são impraticáveis de conserto, depois que se partem em pedacinhos chão afora. Bem, nunca me deparei com um espelho todo colado, quer seja de Super Bond. Algumas outras coisas são coláveis, acredito. Na verdade, acho que quase tudo é passível de uma resina, uma cola ou uma fita adesiva. Não fica novo, mas perfeitamente usual.

Pra você ver. No século XV, os japoneses desenvolveram uma técnica de restauração de cerâmicas, conhecida como Kintsugi. Nessa técnica, as partes danificadas do objeto recebem uma mistura da resina produzida por organismos presentes nas cascas de certas árvores (laca) e pó de ouro. O Kintsugi acentua a complexidade estética da peça, tornando-a ainda mais valiosa, dizem alguns especialistas. Há casos em que alguns colecionadores de cerâmicas quebravam seus itens de forma intencional para, posteriormente, consertá-las com ouro. Se nos ensinassem a praticar o Kintsugi quando nossas emoções ou sentimentos fossem quebrados, despedaçados, fico pensando. Os psicólogos, psiquiatras e seus anti-depressivos estariam extintos. O desabafo dos ex-amantes dizendo que há outros amores, outras paixões e tanta gente no mundo seriam menos frequentes. Amores, amizades, sentimentos fraternais, esperança e consideração com um fiapo de ouro ali, outro acolá, a vida seguiria, e eles estariam cada vez mais bonitos e valiosos a cada colagem, ainda que não puramente intactos.

Leia mais »

Os Penetras da Festa do Terraço

Ontem à noite dei uma festa aqui em casa. A festa estava acontecendo no terraço, onde ficam alguns materiais de construção, cimento, tijolo etc. Daí, alguns amigos me perguntaram se poderiam convidar outros amigos. Eu disse que tudo bem, ok! Meia hora depois o povo chega. Pessoal bonito até!

– E aí, tudo bem?
– Tudo massa!
– Tudo bacana!
– Fiquem a vontade. O terraço é de vocês!

Os novos convidados foram lá para o lado dos materiais de construção. Dois casais. Achei normal, no começo. Vai ver estavam sem graça com a turma. Depois de uns goles passava. Normal!E foi passando meia hora, quarenta minutos, uma hora! Nada do povo sair de lá!

Chamei o Junior.
Leia mais »