A Nova Revolução dos Bichos

por Dilvo Rodrigues

Sempre admirei as criaturas que têm o dom de voar. Pena que o voo do pombo, ao contrário do planar de um beija-flor, sempre perde a poesia em certos momentos. Bom, não deixa de ser um direito dele fazer o que quiser enquanto voa, inclusive merda. Eu poderia achar que o pombo é o animal que mais se encaixa no principal mandamento do romance escrito por George Orwell, A Revolução dos Bichos, publicado em 1945; “Quatro patas, bom. Duas pernas, ruim.”. Passados setenta anos, a mensagem nem de longe corre risco de extinção. Desde aquela época, algumas coisas mudaram nas selvas mundo afora. Outras, nem tanto.

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Um Gesto Político, Um Gesto de Amor

Foto por Robson Godoy Milczanowski
Foto por Robson Godoy Milczanowski

por Dilvo Rodrigues

Um fato que mudou a vida de Thiago Vinícius Lopes de Oliveira aconteceu quando ele e um grupo de jovens se embolaram uns aos outros, impedindo a saída de alguns ônibus da empresa de transporte público da cidade. Era um protesto contra o aumenta da tarifa e a qualidade de serviço prestado, em meados de 2013. A polícia foi chamada para retirar os manifestantes da portaria da empresa. Ocorria tudo “normalmente”. Os manifestantes faziam o papel de manifestantes. A polícia protagonizava o papel de polícia. O que me chamou a atenção foi a repetição de uma palavra e o bradar de um braço.

– Amor, amor, amor, amor.

Na época, eu voltei o vídeo por várias vezes para ter certeza. Era “amor” mesmo que o rapaz gritava. Eu me perguntava o porquê da palavra e quem era o sujeito que a pronunciava. Era o Thiago.
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Velho, Caduco e Cego

por Dilvo Rodrigues

Além de velho e caduco, estou ficando cego. Constatação essa dada por um doutor de reconhecido diploma e talento na arte do diagnóstico das doenças oculares mais indesejadas. Saí do consultório triste com a notícia indicada pela receita: uma par de óculos. Invoquei Santa Luzia, queria estar no 13 de dezembro, época em que a santa protetora dos olhos é celebrada, fazer uma oração prodigiosa para que meus olhos voltassem a ser meninas e não mais jovens senhoras. Como era bom poder ver tudo alto e claro, discernir todas as cores, todas as faces mais belas das moças mais belas à distância, atravessar a rua ao ver de longe um desafeto caminhando na mesma calçada. Como era bom!

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