Ô Democrata, Ô Meu Amor

por Dilvo Rodrigues

“Ôooooo bicha!”, É um dos mais novos gritos de guerra da torcida do meu querido Democrata. Ele acontece quase sempre quando o goleiro adversário vai bater o tiro de meta. Confesso! Não ia ao estádio há uns dois anos. E fui com a intenção de ver um bom jogo, a vitória do time do coração e dar umas boas risadas daqueles gritos de antigamente. Felizmente vencemos, o jogo só foi mesmo bom no segundo tempo. Sobre as canções das antigas? Aí é outra história.

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Sou Masculino, Sou Feminino

por Dilvo Rodrigues

Quando eu recebi um cartão do Sistema Único de Saude (SUS) das mãos da minha mãe, com meu nome completo, data de nascimento e sexo, ainda estava sonolento. Era uma manhã de quinta-feira, eu havia virado a madrugada estudando para dar conta de um artigo. Meus neurônios ainda estavam em Off. Então, perguntei:

– Uai, cartão do SUS!? Eu não pedi!
– Agora é obrigatório, disse minha mãe!
– Ah é? Tô sabendo dessa não.

Dei de ombros e comecei a ler o dito cujo. “Sistema Único de Saúde (SUS). Nome: Dilvo Rodrigues Batista. Data de Nascimento: 13/12/1984. Sexo: Feminino. Número do Beneficiário: xxxxxxx.”
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Música Autoral Vs. Mais do Mesmo

por Dilvo Rodrigues

Não falta música em Governador Valadares e as opções são variadas. Na mesma noite, você pode frequentar um barzinho reconhecido pelas apresentações de duplas sertanejas e, mais tarde, pode ir para um pub ouvir rock clássico ou heavy metal. O ponto em comum entre a maiorias desses locais, ainda que não seja uma semelhança proposital, é que quase na totalidade deles é bem difícil encontrar som autoral, isto é, artistas que tocam suas próprias músicas. O Meras Crônicas conversou sobre isso com pessoas do cenário da música local. Respectivamente, Dilpho Castro, líder da banda Silent Cry; Marcos Aranha, cantor, compositor e vocalista da Dr. Jiwaggo; Peterson Camargos, guitarrista da Banda Ox e parceiro musical da cantora Tamy Braga e Clério Teixeira (Mais conhecido como Clerin), produtor musical e músico.
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Mulheres; Nunca entre Aspas

por Dilvo Rodrigues

Quando pedi a sete mulheres para escrever um texto de cinco ou seis linhas sobre o que elas achavam ou que elas pensavam sobre a figura da mulher no contexto da sociedade atual eu não esperava mesmo nada padrão. As falas e dizeres seriam publicados por aqui, em formato de abre aspas, com nome e profissão de cada uma. Ou seja, um formato demodê que a revista Veja e outros veículos de comunicação utilizam com frequência. Eu não queria escrever sequer uma palavra de minha autoria. Só iria me dar o trabalho de reunir os depoimentos na página. Nada saiu como o planejado.

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Jaider Batista: “É Preciso Aprender a Conviver.”

por Dilvo Rodrigues

A primeira vez que conversei com Jaider Batista foi durante a minha primeira graduação, em jornalismo. O ano deveria ser 2008 ou 2009. Depois da palestra dele, naquele dia, fiquei com uma frase na cabeça que ele repetia constantemente na fala: “É preciso aprender a aprender!”. Em Janeiro, Jaider, que é Secretário de Educação de Governador Valadares, professor e jornalista, aceitou receber o Meras Cronicas para uma entrevista despretensiosa sobre internet, jornalismo, comunicação e política.

Meras Crônicas – Você escreveu uma série de crônicas a respeito da sua última viagem a Angola. E o que me chamou atenção foi a dificuldade e a engenhosidade necessária para se conseguir uma conexão de internet por lá. O que você acha que vai acontecer mais rápido: A internet banda larga chegar a Angola com força total ou o jornalista brasileiro ser mais valorizado?

Jaider – Acho que o caminho da internet é chegar a qualquer canto, não tem mais condição dela não chegar. As pessoas buscam janela de conexão com o mundo. Se os governos não dão conta disso, os indivíduos vão buscando por si. Eu saí daqui [do Brasil] com um celular simples, apenas para ter a agenda de endereços, por que eu não cuidei da possibilidade de usar telefone daqui lá em Angola. Quando eu cheguei, o meu “motorolazinho” estava em tudo quanto é canto. Os laranjinhas, como são chamados por lá, estavam a três dólares americanos. Ou seja, essa popularização dos aparelhos celulares em toda África, a preços bem baixos, é uma massificação que se dá na perspectiva do uso de Internet. E já há outras maneiras de conseguir uma conexão com a rede. Por exemplo, em alguns lugares da Amazônia brasileira, eu tive dificuldade para conseguir uma boa conexão dentro do hotel. No meio da floresta, em uma aldeia, já conseguia um sinal através da internet por satélite. Então, há maneiras de se conectar que não passam pelas operadoras ou governos, como é convencionado hoje.

Em Angola, estive em uma midiateca do governo. Todas as mídias digitais estão ali, concentradas nesse espaço. Eles estão construindo várias unidades em todo paí. Essa é uma maneira de, primeiramente, aproximar as pessoas com bons níveis de educação ao uso da internet e das mídias digitais. É claro que você tem um aparato de país de primeiro mundo na midiateca, enquanto do outro lado da rua não tem um sinal se quer. Hoje Angola é um dos países que mais crescem economicamente no mundo, então há a possibilidade de eu chegar lá no ano que vem e o quadro ser bastante diferente.

Agora, sobre os jornalistas, eu penso que eles não são valorizados em Valadares. Em muitos lugares, eles o são. A usura e a obtusidade dos donos de jornais estrangula qualquer possibilidade de reconhecimento do valor do jornalismo. Até por que eles não querem fazer jornalismo, eles querem empregados servis que reproduzem releases e garantam que o jornal esteja no forno para sair no dia seguinte. Não interessam em manter quadros e desenvolver profissionais, reter gente inteligente nas redações. Eles sabem que podem dispensar, já que haverá outros. Nós precisamos constituir outra rede de comunicação em Valadares e, ao invés de as pessoas formadas ficarem esperando aparecer um patrão iluminado e com a compreensão adequada do valor do jornalismo para a democracia, que elas se juntem e disputem o mercado.

Nós poderíamos ter cooperativas de jornalistas, de doze ou dez profissionais capazes de colocar um jornal na rua. Por que só programa de buraco de rua e de crimes é que consegue espaço na nossa televisão local? Acho que nós falhamos na formação do jornalista, falhamos na capacidade de formar pessoas capazes de gerar seu próprio emprego. Temos um monte de gente com diploma na mão, mas que está perdendo a capacidade de fazer jornalismo. Isso por que as empresas são ruins, os empregadores são péssimos, mas que também não conseguem fazer por conta própria, não são capazes de chegar e dizer: “Eu não preciso me submeter a esse patrão ou a essa empresa. Vou fazer meu emprego. Vou disputar o espaço, comprar um horário na TV e fazer um programa interessante.”. É improvável que a população tenha gosto pelos péssimos programas livres de TV que nós temos por aqui. O mais provável é que a população não conheça outra alternativa devido à preguiça dos jornalistas, que não estão oferecendo algo diferente.

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