Uma Carta ao Leitor Ausente

por Dilvo Rodrigues

“São duas horas da madrugada e eu imagino que não estaria lendo essa carta logo agora. Você deve está dormindo, pretende acordar amanhã bem cedo para fazer suas entrevistas de não sei mais o que. Eu não sei mais onde você trabalha. Estive no seu último emprego e lá ninguém tinha notícias do seu paradeiro, disseram que possivelmente estava fora do país, na África. Mas, me vou acordada pela madruga afora. Na TV, tem um sujeito estudioso da corrupção no Brasil. Ele acabou de afirmar que se rouba US$ 1 bilhão por ano dos cofres públicos tupiniquins. É muito dinheiro! Sei que você gosta desses assuntos de política e fiquei me perguntando se você não estaria agora assistindo essa entrevista também. Falando em dinheiro, consegui um bom dinheiro para montar aquele restaurante de comida árabe que a gente tanto conversava. Pena que não consegui terminar o curso e me formar junto contigo. Mas se você ainda quiser ser meu sócio, o convite tá de pé. É claro, isso é só mais um pretexto para ter você bem perto de mim todo dia. Quem sabe assim que você voltar da África e ler essa carta. Isso é claro, se você não virar comida de leão. Mas olá, tudo bem?”
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O Vendedor Noturno de Rosas Verdadeiras

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por Dilvo Rodrigues

Quando era jovem Acir não tinha liberdade para presentear sua namorada com flores. Menos ainda pegar na mão, muito menos ainda ficar de agarramento em público. Se alguém visse a filha do fulano abraçada com o filho do ciclano era um Deus nos acuda. Abraçar só era permitido depois do casamento. Em Nacip Raydan, sua cidade natal, aproveitava as noites de lua cheia junto com uma turma de amigos e embalava serenatas nas janelas mais distintas, que tinham sempre algo em comum; flores.
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