O Gato Bebe Leite, O Rato Come Queijo

por Dilvo Rodrigues

“Aqui embaixo do prédio tá passando o bloco dos bêbados.E eu vou me juntar. E eles não vão achar ruim se eu achar que cachaça é remédio que a gente toma sem receita pra anestesiar a dor. Eles não vão achar ruim se eu achar que é besteira essa coisa de beber na folia. Por que em plena quarta-feira, nem triste, nem feliz. Bebo, mas é só para esquecer todas as besteiras que eu fiz.”. O Alberto sempre cantava essa música depois de umas e outras. O sujeito nunca aprendeu uma nota musical se quer nessa vida. Mas, sempre vinha apresentando ou cantando uma letra ou outra, composta por ele mesmo. Eu gostava muito de tudo que ele inventava.
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A Velhinha Descolada

por Rômulo Martins

Ela conseguia provocar a maior celeuma dentro do escritório cheio de machões engravatados e executivas sabichonas. Chamavam-na de Lorena ou tia mesmo. Mas o nome oficial da “Tia da limpeza” era Maria. Guardado a sete chaves, ninguém o pronunciava. Com Lorena a limpeza deixava a desejar, mas quem se incomodava? Trabalhar com uma velhinha descolada, “pra frentex” ou coisa que o valha compensava o chão sujo da cozinha ou as marcas de dedo nos vidros da janela do décimo terceiro andar.

No auge dos seus 60 anos, Lorena não se intimidava com o ambiente de trabalho austero que os executivos bem vestidos e bastante seguros de si imprimiam ao local. Enquanto se esforçava para mostrar serviço, falava com todos de igual para igual. Quando preciso, puxava a orelha de quem deixava papel acumulado na mesa ou o copo descartável usado “dando sopa” no escritório.
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