Escada Rolante e Elevador Panorâmico

por Dilvo Rodrigues

Um Barulho de algo batendo na calçada com alguma frequência. Alguém caminhava na minha frente tirando notas secas do chão.
Sinal verde, amarelo, vermelho. Parei na faixa de pedestre. Uma senhora também estava por ali.
-Eu posso ir? – ela gritou.
– A senhora precisa de ajuda para atravessar?
-Sim, preciso!
Reparei que ela era cega e precisava mesmo de ajuda. Naquele momentos me veio a imagem de um náufrago pedindo socorro em alto mar. Meu barco de pescador era o único por ali e tinha espaço para mais um.
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Parentes do Riso

por Dilvo Rodrigues

Outro dia meu avô apareceu em um dos meus sonhos. Eu não tenho muitas lembranças dele, então o sonho fez questão de se valer do cenário de uma foto, que eu já vi muitas vezes no álbum de fotografias da família. Na foto, estava sério, era o dia de batizado dos netos dele, eu e meu irmão mais novo. Mas, no sonho, ele estava rindo um sorriso desses bem maroto, dentro da foto, no mesmo batizado. O que não é de se espantar por que uma das poucas coisas que me lembro do Sr. José Rodrigues é que o sujeito era um piadista, engraçado e brincalhão. Mesmo não me recordando de nenhuma piada, coisa engraçada ou brincadeira dele, me lembro do tom e do jeito da risada daquele homem. Me lembro da maneira como ele caminhava, de quando ele raspava a botina suja de barro também, sempre rindo ou contando algo divertido. Algumas vezes, quando conto alguma coisa engraçada ou tentando fazer alguém rir, me pego matutando: “Será que ele riria dessa minha’piada’?
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