Os Canelas Finas

por Dilvo Rodrigues

Na adolescência, tinha uma namoradinha bem bacana, que adorava minhas canelas de saracura. Adorava ainda mais quando eu usava boot, aquelas botinas de cano mais ou menos longo. Eu usava essas botinas com meias curtas e bermuda. Ela chegava toda apaixonada e dizia: “Ah, tá parecendo o Chaves.” O Chaves nunca foi um parâmetro fashion na minha vida. Eu adorava o seriado mexicano, assistia todo dia no SBT. Eu assistia o mesmo episódio dez vezes. Dez vezes eu gargalhava com a mesma intensidade do mesmo episódio. Eu nunca havia reparado nas canelas do Chaves até então. Descobri que eu e bolaños poderíamos ser gêmeos de canela. Eu não gostava, mas hoje até acho legal me sentir um pouco Chaves na vida. E, ele pode até esconder atras da calça jeans. Mas, Seu Madruga também tem perna de Tuiuiú.
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Ah, Meu Amor

por Dilvo Rodrigues

“Quando você foi embora fez-se noite em meu viver.” É rapaz, essas músicas do Milton Nascimento fazem a gente se sentir feito o trecho de uma poesia do Carlos Drummond de Andrade, que diz assim: “Eu não devia te dizer. Mas essa lua, mas esse conhaque, botam a gente comovido como o diabo.” Eu já deveria saber que o amor não é sempre grande e claro como a lua e nem mesmo forte e embriagante como conhaque. Mas, também, não posso dizer que o amor seja o diabo.
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Os Raimundos Nonato e Lourenços da Vida

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por Dilvo Rodrigues

Todos os dias ele vai almoçar no mesmo lugar. A comida não é das melhores. Na verdade, para Lourenço, a comida é um lixo. O que leva esse negociador de quinquilharias ao boteco não é mesmo a comida, o motivo é outro. O Lourenço de “O Cheiro do Ralo”(2007), dirigido por Heitor Dhalia, não vai para comer, mas para olhar a bunda da garçonete. No caso dele, nem se poderia utilizar a expressão “comer com os olhos” e, muito menos, o “comer” chulo e sexual que se utiliza por aí, nas ruas. Lourenço quer poder olhar para a bunda da garçonete quando desejar. Não é o tipo de cara que concorda com a proposição psicanalista que diz que a grande tristeza na vida humana é que ver e comer são duas operações diferentes, como descreve Norman O. Brown no livro “Love’s Body”. “Eu não quero casar com essa bunda. Eu quero comprar ela pra mim”. Temos então, alguém que sabe perfeitamente o que quer e como quer possuir.
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O Bloco do Cabelo Doido

por Dilvo Rodrigues

No Bloco do Cabelo Doido desfilaram moçoilas e machões, gatinhas e bonitões de qualquer orientação e faixa salarial. Esteve presente o repórter de TV, porque um turma resolveu que a trilha sonora seria a dança do risca faca. Assim, a polícia resolveu criar suas próprias composições, uma delas se chamava “O porrete também canta”. O médico resolveu aparecer, muita gente acabou passando mal de alegria. Dizem que quando o doutor colocava o estetoscópio no coração do sujeito ou da “sujeita”, ouvia mesmo eram as batidas de um sorriso. No Bloco do Cabelo Doido ninguém pagou para ser rainha da bateria, nem para se fantasiar de baiana e muito menos para fazer parte da comissão de frente. Lá na hora tudo se fez assim: “Quem quer ser rainha da bateria?”. As beldades todas levantavam as mãos. Fiquei feliz! Minha agremiação é a única escola de samba do mundo que tem 10 rainhas de bateria. A Mangueira só tem uma. Enfu!
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