O Triste Fim do Palhaço Leopoldo

por Dilvo Rodrigues

“O espetáculo está chegando ao fim, senhoras e senhores.” A criançada faz uma carinha de triste, mas o palhaço tinha repertório para um último número. “Eu também sei tirar coelho da cartola. Vocês querem ver?”. “Sim”, disse a plateia, aos berros. “Vocês querem ver?”. “Sim!”, repetiu de novo a plateia. Ele jogou um pirulito dentro da cartola, acrescentou confete, um apito e uma ratoeira. “Tem que agitar bem agora! Você, você me ajude aqui a agitar com toda sua força, hein!”. A garota da primeira fila até apertou os dentes ao colocar toda sua força para misturar os ingredientes na cartola. O palhaço olhou encucado: “Tá faltando alguma coisa. O que tá faltando?”. “Jujuba”, gritou o joãozinho. “Tá faltando pipoca.”, “Tá faltando arco-íris.”, berrou algum pestinha la do fundo. Ele levantou o dedo indicador e ao mesmo tempo ia dizendo: “Não, não, não, senhoras e senhores. Tá faltando sorrisos.” Ele se aproximou de várias crianças pedindo para que elas sorrissem dentro da cartola. “Sorria, sorria, sorriaaaa.”. E tampou a cartola com uma das mãos para que os sorrisos infantis não fugissem.
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Sr. Sobrenatural de Almeida

por Dilvo Rodrigues

O Escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues sempre justificava os fatos inexplicáveis que aconteciam durante uma partida de futebol como sendo obra do Sobrenatural de Almeida, fantasma responsável por gols e lances “do outro mundo”, principalmente se fossem contra o Fluminense. Mas, o Sr. Sobrenatural atuou também em jogos de outros times. Recentemente representou um papel descarado na classificação do Atlético-PR na fase de pré-grupos da Libertadores da América. A atuação do fantasma foi tão indiscreta que deveria ser revista pelo Tribunal de Conduta das Almas Penadas, Fantasmas e Assombrações.
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Samba no Lava-Car

por Dilvo Rodrigues

Parece um típico pagode de laje, desses que acontecem nas favelas cariocas. Mas o lugar é um antigo lava-car situado um pouco pra cima do Largo da Ordem, em Curitiba. Da praça, a gente já escuta o som do tam tam e do pandeiro. Uma voz se destaca em meio a outras vozes em coro – “Eu te quero só pra mim, como as ondas são do mar. Não da pra viver assim.” – E se vê também um movimento de gente alegre na entrada da festa. São pessoas rindo, pessoas dançando, pessoas beijando, pessoas bebendo e conversando. Um rapaz cobra a entrada de cinco reais e entrega um ticket. A gente já desce as escadas balançando a cabeça, com a mão pra cima e o sorriso nas orelhas.
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