Musas; Melhor tê-las em Segredo

por Dilvo Rodrigues

O Tom Jobim escreveu ou compôs (ou os dois) um punhado de músicas incríveis com nomes de mulheres. “Lígia”, “Ana Luíza”, “Bebel”, “Angela”, “Luciana”, “Gabriela”, “Dindi”, que supostamente era o apelido da cantora Sylvia Telles. Se houve mesmo uma Lígia em especial, nunca saberemos. Mas, se fizeram presentes outras “Lígias”, as Luanas, as Marias, as Ísis, as Mônicas e Bárbaras. As musas que tanto inspiraram os poetas da Bossa Nova. Tom e Vinícius, principalmente, devem ter esbarrado muito com elas nos inferninhos das vida (Casas Noturnas da época), numa mesa de bar de uma esquina qualquer ou na praia.

Pode ser que eles preferissem não esbarrar e, talvez, fizessem desses lugares uma espécie de cinema ao ar livre. Então, toda semana tinha a cena da Helô Pinheiro desfilando pelas calçadas de Ipanema. Os homens dobravam o pescoço para admira-lá. Nos bares, os copos de chopp sossegavam na mesa. Alguém dizia – “Olha só, como ela vai!?”. O Tom virava e pedia para o Vinícius – “Bicho, escreve a letra da garota passando!”. E o poetinha poderia ter respondido – “Mas, a canção não vai se chamar Helô!”. Por sorte, não se chamou. O pai da moça era um general do SNI. E Tom e Vinícius eram casados. Esse nome, Helô, também não soa como “Lígia” ou “Luiza”, nem mesmo soa carinhoso como “Dindi” e, muito menos, como “Garota de Ipanema.”

A coisa mais engraçada e interessante de “Garota de Ipanema” é como ela parece universal e poderia valer de trilha sonora para qualquer história. É aquela coisa do pedreiro estar lá, na obra o dia inteiro e chega aquele horário que a musa dele vai passar com uma sacola de pão, buscando o filho na escola ou saindo do trabalho. Ele se dá conta da presença da beldade, o martelo para de cantar e chega à mente dele algo muito perto de “olha que coisa mais linda, mais cheia de graça”. A maioria das pessoas, das mulheres, principalmente, não percebe que dentro do peito de um pedreiro também bate um coração e tem poesia. Talvez faltasse o mestre de obras pegar uma lata de tinta e começar a batucar, enquanto a moça passasse, “O seu balançado é mais que um poema. É a coisa mais linda que já vi passar.”. Iria ser bonito! Mas, qual ser humano em plena consciência iria correr o risco de estragar tudo e a moça nunca mais voltar a passar?

O Dorival Caymmi escreveu uma música chamada “Marina”. A música era um sucesso. Certa vez, um sujeito chegou armado, querendo tirar satisfação porque pensava que a canção havia sido escrita para a mulher dele, que se chamava Marina. O Dorival negou, mas sempre aparece um momento ou outro que é necessário ou vital ter de se explicar. É perigoso se expressar dessa maneira. Porém, se não fosse Marina, poderia ter sido Isabela ou Alessandra. Vai que o marido ou pai dessas fossem ainda mais arretados!? Musas, melhor tê-las em segredo.

Eu poderia finalizar o texto escrevendo uma pequena história sobre as musas da mitologia grega, criadas por Zeus. Elas glorificavam as conquistas e vitórias dos Olímpicos. São fonte de inspiração artística. São uma criação divina. E deve ser por isso que toda vez que uma musa se aproxima, a gente para como se fizesse uma oração, em pensamento. Talvez ter uma musa seja até uma forma de se aproximar de Deus, da beleza divina, da inspiração que só pode vir mesmo do Criador. Eu poderia dizer isso. Porém, quero mesmo é alertar aos conjugues das Alessandras, Isabelas, Marias, Ísis e Bárbaras. Quero alertar também aos pais das Luanas e Mônicas. Eu quero dizer -“Absolutamente, não as conheço!”

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