Tem Café Novo na Cafeteira

Por Dilvo Rodrigues

Eu nunca gostei de café. Mentira! Eu só gostava e tomava o café da minha avó. Me lembro até hoje da bebida fraca, com a consistência de uma melado que a gente adorava tomar nas canecas de ferro esmaltadas. Digo “a gente” por que eu e meu irmão mais novo nos empanturrávamos do café dela, o dia inteiro. Dona Hilda ainda tem um desses moedores de café mais antigos, de manivela. Os grãos ficavam armazenados numa vasilha de plástico do lado da banqueta em que o moedor estava instalado. Ela enchia a boca do moedor de café e girava a manivela. O barulho do café sendo triturado e o cheiro se espalhavam pela casa. A gente ia correndo para a cozinha e ficava esperando. A água ia fervendo no fogão a lenha. O pão sovado dava as caras na mesa, na companhia de um queijo e uns biscoitos de maisena. Cada um pegava o que queria e ia sentar lá na varanda da casa, que fica no alto de um morro esburacado que nunca soube o nome. Mas que dava vista para meio Marilac.
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Entre Arco-íris Noturnos e Chapeuzinhos

Por Dilvo Rodrigues

Era um domingo de trabalho. Uma tarde de domingo ensolarado, se tornando em um final de tarde de domingo chuvoso. Um dia que tinha tudo para ser maravilhoso, até mesmo para quem trabalha, como esse sujeito aqui. A chuva chega esvaziando as ruas e ninguém sai de casa. Ninguém vai se arriscar a sair de casa para tomar uma expresso ou uma xícara de chocolate quente. Eu já esboçava planos mirabolantes para tornar o fechamento da loja mais rápido e eficiente, ao mesmo tempo em que confeccionava chapeuzinhos de papel para eventuais pedidos de lanche, se alguém eventualmente decidisse aparecer.
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