A Marca da Estrela

Meras Crônicas

Por Dilvo Rodrigues

Era uma pescaria daquelas que a gente fica o dia inteiro tentando fisgar o danado do peixe. A lagoa dos Medeiros já não fazia fartura na mesa dos pescadores da região. Mas, todo mundo gostava de gastar um bom tempo jogando prosa fora, pitando uns cigarros e olhando o lugar, que era bonito que só. A lagoa tinha águas azuladas e tranquilas. Em volta tinha uma pastagem verde, era tanto mais verde quanto mais brilhasse o sol. E ao fundo, tinha um monte, um rochedo chamado de Olheiro. Quando algum pescador conta história mentirosa, o monte vira gente e chega na roda de conversa, com aquele chapéu preto, desmentindo o 171 do cabra. Eu nunca vi acontecer, mas os mais velhos dizem que é de vera. Vai ver todo mundo começou a dizer só a verdade desde então.

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Perto Longe

por Anselmo Miranda

Forte são meus passos
Quando do lado os teus.
Longe, disfarço bem.

E se a dianteira tu tomares,
respirarei esses ares,
do vazio que se abre
entre os meus pés e os teus.

E se ficares inalcançável
restarei eu de notar
tu brilhares feito estrela
toda noite no meu céu.

Mil Lápis e uma Vida

Eu nunca havia conhecido uma colecionadora de lápis.

Meras Crônicas

por Dilvo Rodrigues

Em uma de suas viagens internacionais, a professora Flávia Auler foi à Israel. Por lá, conheceu a “Via Dolorosa”, em Jerusalém, viu o “Mar Morto” de perto e, na cidade de Eliat, deu de cara com as margens azuis do “Mar Vermelho”. Uma viagem e tanto. Voltando ao Brasil, ao por os pés no aeroporto de Guarulhos, recebeu uma das notícias mais desagradáveis da cartilha de coisas desagradáveis para um viajante ou turista profissional: Teve a mala extraviada. No decorrer daqueles quinze dias de espera, as preocupações não giravam em torno dos cremes feitos com substâncias do Mar Morto, maquiagens e roupas adquiridas durante o passeio. O que tirava o sono da nutricionista eram os quase 50 lápis que iriam se juntar aos outros 800 de sua coleção. Hoje já devem ser quase mil deles.

No começo, os lápis nem tinham tanto lugar de destaque na vida…

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Aguenta o Fardo, Com Fé em Deus

Esse texto foi inspirado no Carlos Drummond de Andrade. E, como hoje completa 30 anos da morte dele, nada mais justo do que uma singela homenagem a quem considero o maior da Literatura Brasileira.

Meras Crônicas

por Dilvo Rodrigues

Quando minha mãe disse que eu iria me chamar Rodrigo, não achei bom e nem achei ruim. Na verdade, eu sou do pensamento de que a pessoa deveria escolher seu próprio nome. Eu, se tivesse esse direito, sem dúvida, iria me chamar José. Iria assinar com todo orgulho na identidade: José Rodrigues Batista. Eu não tenho nada contra meu nome atual, que aliás muito respeito esse Dilvo. Nunca tive problema na escola, com coleguinha enchendo a paciência, destilando a zombaria a cerca disso. Se alguém chegasse e falasse que era feio, a resposta tava na ponta da língua. “O nome é meu!” Mas José. Se eu me chamasse José, esse nome seria mais meu ainda.

E nem é por ser nome bíblico. Apesar de eu admirar por demais a história daquele José. Imagina só sua mulher aparecer grávida do nada, dizendo que o bebê é fruto do…

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